terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os cristãos sem Igreja

“Não deixemos de reunir-nos como Igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” (Hebreus 10:25)
            Será que algo está errado no ensinamento bíblico e/ou na tradição da Igreja de Cristo nestes mais de dois mil anos? O fato é que cada vez mais cresce o número de “cristãos sem igrejas”. Na realidade vários fatores podem ter desencadeado esse tipo de cristianismo individualista.
            A forma como a sociedade se organiza e pensa, influenciou a Igreja e os cristãos em toda sua história. A tendência egocêntrica e hedonista latente dos dias de hoje não fica de fora desta regra.
            A fome pelo imediatismo e a busca frenética pela “felicidade” imediata (prazer) gera no individuo um foco errado daquele que Cristo pregou. Pois se a felicidade está condicionada obrigatoriamente a aquilo que está neste mundo material, logo não é felicidade. Muitos tendem a rejeitar a Igreja, pois o desafio da comunhão dos santos implica necessariamente em discordância e sofrimento. Não querendo sofrer, o melhor escape é sair do grupo.
            Uma característica do mundo capitalista que vivemos hoje é que tudo acaba virando negócio. Do mesmo modo que muitos tratam suas instituições religiosas como negócio, outros acabam substituindo sua função de parte do corpo de cristo como consumidores destes negócios gospel. Se uma loja não trata bem seu cliente, ele vai em busca de outra loja, ou até acaba por não querer mais saber daquele produto.
            A espiritualidade que vemos hoje sendo difundida é basicamente voltada para as experiências individuais e emocionais. Muitos até confundem o nível de altura do som saído de sua boca, o número de rodopios, arrepios e tremedeira, a quantidade de palavras sem significado, com o estado de intimidade com o Criador. Isso é uma falácia! Enquanto isso tudo acontece, seu interior continua apodrecendo, sua ética continua inalterada.
            Outro fator importante é a falta de entendimento com relação à autoridade espiritual. Certas crianças não conseguem compreender a importância do respeito e de sua posição espiritual diante de uma autoridade. São pessoas mimadas que só aceitam conviver com pessoas que aceitam ou que pensam do mesmo modo que elas. Mas se fosse assim, será que existira crescimento? O crescimento é desenvolvido na homogeneidade? Ou no confronto das ideias? O fato é que toda essa critica só é direcionada aos outros, pois basta uma simples autoanalise para concluir que elas são escravas dos seus próprios interesses.
            Vários “cristãos sem igreja” defendem a ideia de viver um cristianismo primitivo, onde as reuniões eram de casa em casa, mas analisando a história, aquele contexto vivido pelos nossos irmãos do primeiro século, não é um paradigma para ser vivido em toda a história da Igreja. Pois o contexto da época era de perseguição, o que não vemos hoje no ocidente. Cabe sim em países que o evangelho ainda não foi pregado e desenvolvido.
            Enquanto o interesse primário das pessoas não for Cristo e que cada um não carregar sua cruz de maneira honesta a Igreja nunca será sadia. Mas será que ainda existe espaço para carregar fardo? Ou só há espaço para as “bênçãos”?
            Por fim, devemos reconhecer o perigo que pode haver no autoexame da Bíblia. A Igreja deve estar focada e preparada para não só atrair novas pessoas, mas para ensinar verdadeiramente a Palavra de Deus aos seus membros. Ensino bíblico fraco, comunidades fracas.


Deus abençoe a todos! :)

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